Como saber se o seu negócio dá lucro: a conta do mês em 4 passos, com calculadora
Faturamento não é lucro. Separe custos fixos e variáveis, inclua o seu pró-labore e descubra a margem e o ponto de equilíbrio do seu negócio.
Por Gabriel, fundador do Bukme
· 6 min de leitura

Agenda lotada, maquininha cheia, e no dia 10 falta dinheiro para o aluguel. A cena é comum porque faturamento e lucro andam em direções diferentes: um mês com muita química pode faturar mais e sobrar menos, se o produto e a comissão comerem a diferença.
Numa pesquisa do Sebrae com donos que fecharam a empresa, 22% apontaram a falta de capital de giro como o motivo principal. A conta abaixo leva uns 20 minutos com o extrato do mês na mão e mostra se o seu negócio está nesse caminho.
Faturamento, margem e lucro: três números diferentes
- Faturamento é tudo o que os clientes pagaram no mês.
- Margem de contribuição é o que sobra do faturamento depois dos custos que variam com cada atendimento.
- Lucro é o que sobra da margem depois dos custos fixos e do seu pró-labore.
Um negócio pode ter faturamento alto e lucro negativo. O contrário também acontece: menos clientes, serviços com mais margem, e sobra mais no fim do mês.
Passo 1: some os custos que variam com cada atendimento
São os custos que só existem porque alguém foi atendido. Anote cada um como porcentagem do faturamento:
- Comissões e repasses dos profissionais.
- Taxas de cartão e da maquininha.
- Produtos usados nos serviços: tinta, oxidante, esmalte, cera, descartáveis.
- Impostos sobre o faturamento, como o DAS do Simples.
Se no mês você faturou R$ 30.000 e pagou R$ 10.500 de comissão, a comissão foi 35% do faturamento.
Passo 2: liste os custos fixos do mês
São os que chegam com ou sem cliente: aluguel e condomínio, luz, água, internet, telefone, salário de recepção e limpeza, contador, sistema, parcela de equipamento, material de limpeza e uma reserva para manutenção. Pegue os últimos três meses e use a média, porque luz e água mudam.
Passo 3: coloque o seu pró-labore na conta
Pró-labore é o que você tira do negócio para viver, como pagamento pelo seu trabalho. Quem atende e administra ao mesmo tempo costuma pular essa linha, e aí o "lucro" do mês é o próprio salário disfarçado.
Um jeito de chegar no valor: quanto você pagaria a alguém para fazer o seu trabalho no negócio? Esse é o mínimo.
Passo 4: faça a conta
Margem de contribuição = faturamento × (100% − custos variáveis em %)
Lucro = margem de contribuição − custos fixos − pró-labore
| Exemplo | |
|---|---|
| Faturamento do mês | R$ 30.000 |
| Custos variáveis (35% comissão + 3% cartão + 8% produto + 6% imposto = 52%) | − R$ 15.600 |
| Margem de contribuição (48%) | R$ 14.400 |
| Custos fixos | − R$ 9.000 |
| Pró-labore | − R$ 4.000 |
| Lucro do mês | R$ 1.400 |
Um negócio que fatura R$ 30 mil e lucra R$ 1.400 está a poucos clientes do prejuízo. É exatamente isso que a próxima conta mostra.
Ponto de equilíbrio: quanto faturar para empatar
Ponto de equilíbrio = (custos fixos + pró-labore) ÷ margem em %
No exemplo: (R$ 9.000 + R$ 4.000) ÷ 48% = R$ 27.083 por mês. Abaixo disso, o mês fecha no vermelho. Abrindo 24 dias por mês, são cerca de R$ 1.128 de faturamento por dia só para empatar.
Esse número é o mais útil da conta: dá para olhar todo dia e saber se o mês vai fechar no azul.
Calculadora de lucro e ponto de equilíbrio
Coloque os números do seu último mês. A conta roda aqui na página e nada é enviado.
Nem todo serviço dá a mesma margem
A média do mês esconde serviço que dá pouco. Faça a conta por serviço e divida pelo tempo de cadeira, porque o horário é o que você tem de limitado:
| Escova | Coloração | |
|---|---|---|
| Preço | R$ 60,00 | R$ 180,00 |
| Comissão (40%) | − R$ 24,00 | − R$ 72,00 |
| Taxa de cartão (3,5%) | − R$ 2,10 | − R$ 6,30 |
| Produto | − R$ 4,00 | − R$ 35,00 |
| Imposto (6%) | − R$ 3,60 | − R$ 10,80 |
| Margem | R$ 26,30 | R$ 55,90 |
| Tempo de cadeira | 45 min | 2h30 |
| Margem por hora | R$ 35,07 | R$ 22,36 |
No exemplo, a coloração deixa mais dinheiro por atendimento, mas a escova deixa mais por hora. Com a agenda cheia, isso muda qual horário vale a pena abrir para cada serviço e onde o preço precisa ser revisto.
Lucro no papel e dinheiro no caixa
O mês pode fechar com lucro e ainda faltar dinheiro, porque o dinheiro entra e sai em datas diferentes. A venda no crédito cai na conta dias depois, a parcelada vai caindo mês a mês, e o aluguel e o fornecedor vencem antes. Esse intervalo é o capital de giro.
Três cuidados ajudam:
- Separe a conta do negócio da conta pessoal, e pague o pró-labore numa data fixa.
- Guarde uma reserva para cobrir pelo menos um mês de custos fixos.
- Olhe o fluxo de caixa da semana seguinte: o que vai cair e o que vai vencer.
Feche o mês sempre no mesmo dia
Escolha um dia, como o dia 5, para fechar o mês anterior: faturamento, custos variáveis, custos fixos, pró-labore e lucro. Compare com o mês anterior. Três meses seguidos de margem caindo pedem revisão de preço, de comissão ou do produto usado.
Perguntas frequentes
Qual é uma margem de lucro boa para salão?
Não existe um número oficial confiável para o setor, e a margem muda muito com o tipo de serviço, a cidade e a forma de contratar a equipe. Mais útil do que comparar com uma média é acompanhar a sua todo mês e ver se ela sobe ou cai.
O que é pró-labore?
É o pagamento do dono pelo trabalho que ele faz no negócio, separado do lucro. Entra como custo fixo na conta. Se o negócio só fecha no azul quando você não tira nada, ele ainda não se paga.
Por que fatura bem e mesmo assim falta dinheiro?
Os motivos mais comuns: vendas no cartão que só caem dias ou meses depois, compra de estoque grande de uma vez, retiradas sem data combinada e conta pessoal misturada com a do negócio. A conta do lucro mostra se o negócio é saudável. O fluxo de caixa mostra se vai faltar dinheiro na semana que vem.
Com que frequência devo fazer essa conta?
Uma vez por mês, sempre no mesmo dia. O ponto de equilíbrio dividido pelos dias de trabalho dá a meta diária, que você pode acompanhar todo dia.
Imposto entra como custo fixo ou variável?
O imposto calculado sobre o faturamento, como o DAS do Simples, é variável: sobe e desce com o que você vende. Taxas fixas, como alvará anual, entram nos custos fixos, divididas por 12.
Fontes
- Três em cada 10 MEI fecham as portas em até cinco anos de atividade no Brasil. Agência Sebrae de Notícias, 16/06/2021, sobre a pesquisa Sobrevivência de Empresas (2020): 29% dos MEI, 21,6% das microempresas e 17% das empresas de pequeno porte fecham em até cinco anos; entre os que fecharam, 22% apontaram a falta de capital de giro.
Gabriel
Fundador do Bukme
Gabriel tem, com a esposa, um espaço de sobrancelha e micropigmentação em Porto Seguro (BA). Criou o Bukme depois de testar várias agendas no próprio negócio, e escreve aqui o que aprende atendendo e o que ouve de quem usa o sistema.